Dicas pra você que quer investir em ações

Fala galera da Finansfera!!!



Fim do ano chegando, reformas por vir e a expectativa do mercado continua boa. Desde que tivemos o impeachment a Bovespa começou uma escalada que já dura mais de um ano e com algumas reformas que ainda estão por vir, essa escalada pode continuar um pouco mais.

Há bastante conversa de bar por aí falando que a Bovespa poderia estar em mais de 100 mil pontos se fosse corrigida com a inflação dentre várias outras coisas e de fato poderia mas de qualquer maneira precisamos ver o momento econômico do país. Os gastos da população estavam extremamente retraídos e aos poucos a coisa vai melhorando.

Não sou de ficar debatendo política pois sei que é perda de tempo, ficamos discutindo, brigando, mostrando pontos de vista e no fim os políticos nem sabe que existimos e não fazem nada com base no que pensamos mas de qualquer maneira temos que observar uma "melhora" na economia após a assunção do Drácula. Mesmo que o IPCA esteja mascarado, ele não está mais de 10% como antes. Mesmo que o IPGM esteja mascarado, o CDI e qualquer outro índice, nenhum deles estão onde estavam há quase 2 anos então, houve sim uma melhora, quer queira ou não.

Esse impacto todo a gente percebe na Bovespa, vamos olhar o gráfico de 1 e 2 anos respectivamente:




Podemos perceber que quem entrou na bolsa em 2016 até hoje, ganhou dinheiro. Quase tudo subiu mais de 40%. Alguns realizaram lucros e outros mantém investindo tudo. Mas o que é importante na hora de escolher uma ação? Será que basta a economia ir melhorando e daí comprar ações indiscriminadamente e ganhar com isso? A resposta é: Não! Não é simplesmente comprar qualquer papel e deixar lá que ele vai subir e te deixar milionário. Tem bastante coisa a avaliar antes de comprar um papel.

Recentemente li novamente o livro de Lynch, O Jeito Peter Lynch de Investir. Recomento fortemente a leitura desse livro que considero uma obra que te põe na realidade, te põe com os pés no chão no quesito análise de onde investir.

Lynch com muito bom humor e muito realista mostra que investir em ações não é tão difícil assim mas também não torna você milionário de uma hora para outra. Ele demonstra que para investir precisamos ser simples e avaliar o mercado que quer entrar. Ele traz a mensagem de que, na hora de investir o que importa é o quanto você conhece daquele mercado. Se você vê o caldo de cana na sua esquina sempre lotado, com filas de espera e que provavelmente se abrir uma filial ela também ficará lotada, então é muito mais promissor investir nela do que na empresa lá no Turcomenistão que recebe peças da china pra montar um brinquedo infantil pra vender na Europa por indianos. Poder observar o negócio e avaliar é muito mais importante do que a grandeza da propaganda do negócio pois geralmente a gente não consegue avaliar tudo e vamos pelo marketing.
Dentro dessa filosofia eu somente invisto naquela empresa que utilizo o serviço ou compro o produto. Uma das últimas ações que comprei foi da Apple e sou um applemaníaco de carteirinha. Tenho quase todos os produtos da maçã e sou fiel a ela. Todo ano tem lançamento de novos produtos e mesmo que eu fale que não vou trocar, acabo tendo oportunidade de trocar e troco. Assim como eu existem milhões de pessoas mundo afora com a mesma mania.
De olho no iPhone X
No lançamento do iPhone 6 eu estava em Nova Iorque e pude ver o tamanho da fila para comprar o aparelho. Lembrando que só podia comprar 2 aparelhos por pessoa e que a loja na quinta avenida funciona 24 horas. O número de chineses era impressionante. Sendo assim, é uma empresa que quero ter em meu portfólio mas não somente porque gosto dela mas sim porque ela traz bons números. Para quem quiser ver um pouco mais sobre os balanços da Apple, sugiro dar uma lida no post do Investidor Internacional e assim eu não fico chovendo no molhado aqui.

Outra empresa que me dei conta de investir foi a Disney. Os parque da Disney são maravilhosos. Não são só para crianças, são para todas as idades. Mas a Disney não é dona somente dos parques, ela tem vários canais de televisão, seriados, desenhos animados, esportes e muito mais. É uma mega empresa que fica até difícil avaliar. Recentemente ela comprou a FOXA mas só este assunto já daria um belo post. Os números da Disney são muito bons também e o que mais vejo são crianças cada vez mais interditas nos desenhos pedagógicos da empresa. Ela é praticamente um ETF de entretenimento.


Ainda temos os canais globais como Disney Asian Pacific, Japan, Europe, Middle East and Africa e Latin America. Imaginem o potencial da empresa.

Já no Brasil eu tenho Ambev. Cara, minha mãe bebe todas e sempre bebeu, ou seja, Ambev não vai falir enquanto ela estiver viva. Sem contar nas amigas dela e no meu tio então porque não aproveitar um pouco desse lucro? A Ambev é uma empresa impressionante para nossos padrões. Ela domina o ramo de cervejas ficando de fora do grupo apenas poucas marcas.

Fora refrigerantes, energéticos, sucos, chás e isotônicos que a empresa produz também.

Mas nem sempre as empresas que gosto tem bons números e me fazem investir nelas, por isso eu disse que preciso aliar o ramo que eu gosto, conheço e utilizo com os números da empresa. Eu adoro tecnologia e tenho vontade de ter um Tesla um dia, porém não tenho ações da empresa por entender que ainda não traz lucros. Já comentei sobre isso aqui

Outra empresa que ainda não me sinto confortável em investir é a Netflix. Acho sensacional o case no entanto o ramo pode começar a contar com grandes concorrentes e atrapalhar todo o monopólio que eles tinham. Este final de semana que percebi no meu Apple TV o ícone do Prime TV. Eu nem sabia o que era e quando entrei me espantei com a "Netflix da Amazon". Tudo igual, filmes, séries e provavelmente em breve, mais coisas. Como a Amazon anda comprando o mundo, ainda fico receoso de investir em Netflix.

Então, uma dica é: Invista em algo que você usufrua e possa avaliar o quanto as pessoas também gostam. Lynch em seu livro dá vários exemplos disso. Ele cita eventos com a Chrysler, Pic ' N' Save, L'eggs, Pep Boys, Toys "R"Us e muitos outros. Não foque em coisas grandiosas que você nunca usou, nunca vai usar, não conhece alguém que usa e muito menos sabe como funciona e o que pode impactar no desempenho da empresa. Também não invista por emoção, não compre a ações somente por gostar do produto ou serviço, pesquise sobre seus fundamentos mas como fazer isto? Como olhar os fundamentos?



No próprio livro do Lych no Capítulo 12 (Obtendo Fatos), temos uma lista de coisas para avaliar antes de investir em uma empresa e toda a lista é muito simples de fazer. Eis os tópicos desse capítulo:
  1. Obtendo o máximo de seu corretor -  Aqui ele exemplifica como você pode sugar o máximo de informações do seu corretor a ponto dele ficar louco e ir atrás das respostas pra você;
  2. Ligando para a empresa - Nada melhor do que o contato direto para tirar dúvidas não acha
  3. Você acredita nisso? - Neste tópico ele fala sobre como alguns RI de empresas veem os números da empresa. As vezes alguém pode mostrar números feios de forma bonita e vice-versa;
  4. Visitando as matrizes - Você já pensou em visitar a matriz de uma empresa que você invista? Provavelmente não por achar que é um investidor muito pequeno e não será recebido muito bem. Tente, vá a matriz de uma empresa e converse com o pessoal do RI. Demonstre que você acompanha a empresa e entende dos fundamentos dela e está interessado no rumo que eles estão dando ao seu dinheiro, o resultado pode ser surpreendente;
  5. Contato com pessoal investidor - Que tal um grupo de amigos que investem na mesma empresa que você? Existem vários grupos de WhatsApp específicos sobre empresas ou FII, junte-se aos acionistas daquela empresa que você está de olhos e troquem ideias;
  6. Verificando as informações - Após algum tempo cheque se tudo aquilo que você recebeu de informação ainda continua. Veja se os fundamentos vão bem, nem sempre uma empresa que começou bem vai bem a vida toda, vide o caso de GE; e
  7. Lendo os relatórios - Este ponto eu demorei a fazer mas recomendo fortemente. Entre no site de RI das empresas e cadastre seu mail. Leia o relatório que eles produzem com informações. Geralmente são informações simples e valiosas mas temos a tendência a ignorar esta ferramenta tão importante.
Esses são 7 passos simples para analisar uma empresa descritos por Lynch em seu livro. Experimente por em prática e veja o quão fácil se torna após um pouco de experiência. Esses passos não tomam mais que algumas horas por empresa que podem ser renovados a cada 3 meses ou uma periodicidade ainda maior.



Fiquem atento aos fundamentos em geral da empresa e aqui não vou explanar como fazer isso pois é praticamente uma aula inteira e não quero ficar delongando demais o post mas busquem entender o que é o valuation, relação lucro por ação, P/L, EBITDA dentre outros indicadores. Nada é pétreo e nem sempre um indicador vai servir para qualquer tipo de empresas. Por exemplo, o P/L de uma em presa como a Netflix sempre vai ser muito alta acima de 150 mas se olharem o da Apple, tá menos de 20.

Enfim, ações são pra longo prazo! Comprar ações ao mesmo tempo que não requer zilhões de estudos diários, requer uma atenção especial em cima de alguns itens. Simplifique a análise da empresa com perguntas simples que você pode fazer a qualquer pessoa na rua e a resposta vai mostrar como anda aquele mercado. Leia o livro do Lynch assim como outros livros sobre investimentos. Siegel também é muito bom.

E você? Anda investindo em ações? Quais as principais análises que utiliza selecionar uma empresa?

Por enquanto é isso pessoal.

Abraço a todos!





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8 comentários

  1. Peter Lynch tem uma facilidade admirável para explicar sobre como fazer bons investimentos no mercado acionário. O mais interessante é que não envolve nenhuma fórmula complexa ou teorias quânticas. É simples, objetivo, cristalino. Qualquer um com QI mediano, como diria Warren Buffet, consegue fazer dinheiro com ações. E esses caras vencedores explicam de uma maneira incrível.

    Pelo que li até hoje em seus posts, o seu método de análise de uma empresa considerada boa é bem parecido com o meu. Não me recordo de ver você falando bem de uma empresa que eu considero o oposto. Interessante como certas filosofias de investimento acabam atraindo certos perfis de pessoas para determinados círculos sociais, de modo geral.

    Forte abraço BPM!

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    1. Grande Amigo TR,

      Resumiu muito bem o jeito Peter Lynch de investir. Vejo pessoas complicando as coisas sem necessidade, a vida é simples mas as pessoas complicam o viver.

      Fico contente que nossas filosofias sejam parecidas, isto me mostra que estou no caminho certo!

      Abraço camarada!

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  2. Atualmente invisto apenas na RaiaDrogasil, Weg, B3, ENGIE e Natura. Estou com muita dificuldade pra investir (e gostar) de outras. Isso de gostar da empresa eu lembro da minha esposa. Comprei Natura apenas por conta dela. Ela simplesmente ama.

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    1. IInvisivel,

      Raia Drogasil é realmente uma empresa que surpreendeu. Eu não entrei pois quando acordei pra ela achei que já estava alta e tinha outras opções com mais potencial de upside mas quem entrou nela mais cedo tá bem feliz, afinal ninguém vai deixar de comprar remédios né.

      Cuidado com Natura, as últimas notícias que acompanhei foi quando ela comprou a "The Body Shop"e depois disso não acompanhei mais só que ela pode ficar endividada por um bom tempo e se não tiver uma boa administração pode não ser uma opção no momento. Mas sim, você fez uma análise certa, geralmente as mulheres são um bom termômetro pra saber se aquela marca ou serviço vale a pena, afinal elas não se contentam em não gastar e se sua mulher começou a gastar muito, significa que outras mulheres também vão.

      Abraço!

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  3. Excelentes dicas. Post bem completo.

    Abraço e bons investimentos

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  4. Olá BPM,

    Obrigado pela citação.

    A Apple é fantástica e por enquanto não há nada que a tire do trono.

    Gosto muito desse livro, entretanto as opções para investir na bolsa brasileira são poucas e o tipo de observação que ele fez não é tão fácil de aplicar aqui. Muito dos produtos de sucesso aqui vêm de fora.

    Por outro lado, o mercado brasileiro é tão fragmentado que as empresas consolidadoras como a RaiaDrogasiil, estão nadando de braçada.

    Abçs e ótimo final de ano!

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